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Como posso alinhar todos os níveis da minha empresa?

Você já viu esse filme antes?

Muitas vezes, a pedido do dono da empresa, o responsável de RH entra em contato com consultores ou palestrantes solicitando uma palestra motivacional aos seus funcionários, com aquela clássica frase: “para dar uma motivada no pessoal”.

Isso já aconteceu na sua empresa?

Muitos palestrantes, de cara, aceitam a proposta e vão fazer o seu trabalho normalmente.

Porém, alguns consultores um pouco mais diligentes, sabedores de que tratando-se de motivação, devem motivar alguém a fazer algo, e começam a explorar um pouco mais a situação e questionam: motivar quem a fazer o que?

Em certos casos, o silêncio já se instala por aqui. Algumas empresas sequer sabem a resposta para essa simples pergunta. Outras, dizem aleatória ou vagamente que está faltando comprometimento, dedicação, entrosamento, algo do tipo, que estão enfrentando baixa lucratividade ou simplesmente que a empresa quer vender mais, então acredita que motivando seus funcionários, o seu faturamento vai aumentar.

Sim, é bem verdade que colaboradores mais felizes trabalham melhor o que, consequentemente, é melhor para a empresa também. Inclusive, estudos científicos comprovam isso. Pesquisas recentes apontam que empregados felizes são 12% mais produtivos (Universidade de Warwick – Reino Unido) e que há um aumento de 37% nas vendas e três vezes mais criatividade dos funcionários mais satisfeitos (Universidade da Califórnia – EUA).

Porém, ao se verificar que se esses sintomas não estão sendo observados somente em um setor, mas em outros também, o assunto começa a ficar mais interessante. Começa-se a constatar que isso possivelmente também aconteça nos níveis de supervisão, de gerência, de diretorias e por aí vai… Não é de se surpreender que os comportamentos observados nos trabalhadores da operação da empresa também o sejam nos proprietários, o que confirma aquela máxima de que “a empresa é o reflexo do dono”.

Clareza dos papéis

Como se sabe, uma empresa é formada basicamente por três setores: operacional, tático e estratégico.

O setor operacional é o mão na massa, é a transformação, é o que faz acontecer.

O tático é aquele responsável por fazer o link entre as diretrizes do estratégico e como elas devem ser executadas pelo operacional. É ele que supervisiona a operação para que as metas sejam cumpridas.

Já o estratégico dá os nortes da empresa, para onde ela vai, o quanto quer crescer, determina as diretrizes, é ele que dá os porquês.

Em empresas maiores, espera-se que esses setores sejam muito bem divididos e que as atribuições sejam claras.

Nas empresas menores, é muito comum não haver clareza desses setores e atribuições, de forma que os proprietários por vezes tenham que sentar na cadeira do estratégico, em seguida no operacional, mais tarde no tático e assim vai tocando o seu negócio. Não que isso esteja errado, pelo contrário, muitas vezes isso é necessário para a sobrevivência do negócio. Porém, o fundamental em situações assim é clareza e foco.

Clareza para saber que essa pessoa cumpre papéis diferentes na empresa e foco para se disciplinar a estar totalmente presente na atividade que estiver executando no momento.

Portanto, é fundamental que o proprietário determine como deve ser a cultura da empresa e como ela deve ser seguida por todos os setores. Ele deve ser o guardião da forma de pensar e da conduta que se espera de todos. É até por isso que se diz que “o exemplo não é a melhor forma de lidera, mas a única”. Ou seja, se deseja maior lucratividade e se acredita que ela vem de uma maior produtividade com menor custo, precisa dar o exemplo da filosofia e dos comportamentos adequados para isso.

Tendo isso muito claro, o proprietário precisa ter consciência de que a solução para os efeitos que está observando nos comportamentos dos colaboradores está em níveis mais profundos da organização. Já diria Albert Einstein: “a solução de um problema está em um nível superior àquele onde ele que foi criado”.

Os 7 níveis do processo evolutivo de uma empresa

O conceito de níveis neurológicos, aqui adaptados para o processo evolutivo de uma empresa, é inspirado em Gregory Bateson e foi introduzido na Programação Neurolinguística (PNL) por Robert Dilts.

Eles esclarecem não só sobre categorias hierárquicas de informação, que dizem respeito à comunicação, aprendizagem, transformação, problemas, objetivos ou conflitos, mas também nos confrontam com o que fazemos na vida, como fazemos, em que acreditamos e o que pensamos que somos. E uma empresa também tem sua própria identidade e sua forma global de pensar. E, no final, surge a pergunta essencial: qual é o sentido disso tudo?

A ferramenta abaixo traz 7 contextos diferentes, mas relacionados entre si. Os níveis são, partindo de baixo para cima: ambientes, comportamentos, capacidades, crenças e valores, identidade, afiliação e espiritualidade.

A empresa, em momentos distintos, atua em todos esses níveis, com mais ou menos ênfase em um deles.

Repare se a maioria das ocasiões que você necessitou solucionar problemas, se eles não estavam relacionados a situações pontuais e práticas, como: baixo índice de vendas, equipes desmotivadas, elevado turnover, produtos altamente sazonais, entre muitos outros possíveis?

Porém, se esses problemas vêm se repetindo, talvez tenha chegado a hora de se olhar para o que está além, nos níveis acima daqueles onde eles vêm ocorrendo.

Correções internas e externas

Atentar-se a todos esses níveis é tão importante internamente, para a correção de rumos, quanto externamente, inclusive, para compreender-se qual é o nível de confiança que seu cliente está tendo com a sua empresa (ou a falta dela).

Os níveis visíveis: ambiente, comportamentos e capacidades

Ambiente

A base da pirâmide refere-se ao “onde” as coisas acontecem, ou seja, o ambiente de trabalho, o espaço físico, que está voltado muito para as ações e reações das pessoas envolvidas. É o nível mais superficial.

Neste nível, a confiança do seu cliente está voltada para a sua estrutura física, ou seja, ele confia porque, aparentemente, ela lhe agrada.

Uma empresa estagnada neste nível pode estar enfrentando sérios desafios e possivelmente não sabendo os seus motivos. Talvez esteja focando tão somente em encontrar um mercado atraente, em ganhar novos clientes, mas esquecendo olhar para dentro, para a sua própria cultura.

Comportamentos

Os atos praticados pelos indivíduos já estão no nível de comportamentos, ou seja, “o que” a empresa está fazendo.

É muito comum empresas se manterem nesse nível ainda raso e focarem somente nos comportamentos dos seus colaboradores.

A confiança do cliente aqui é por indicação, seguindo o comportamento de alguém.

Capacidades

Já fatores como objetivo, plano estratégico (ou parte dele) e táticas empresariais representam o “como” e estão no nível de capacidades ou habilidades.

Na tentativa de buscar resolver problemas de comportamentos, algumas empresas iniciam um movimento de capacitação dos seus colaboradores, o que é um primeiro sinal de evolução.

Aqui, a confiança do cliente, ou a falta dela, é pela expertise da empresa. Ele consegue perceber que existe algum diferencial nas suas habilidades e, por isso, se interessa.

Começando a “ir além”…

Até esse nível é onde atua a maioria das consultorias: treinamentos de equipes, de lideranças, processos, feedback, práticas de vendas, etc.

Trata-se de uma região muito importante e é onde se observam a maioria das situações que estão ocorrendo na empresa.

Entretanto, muitos dos problemas são, na verdade, criados em níveis superiores.

Os níveis invisíveis: crenças e valores, identidade, afiliação e espiritualidade

Se as frases “parece que estou sempre apagando incêndios na minha empresa” ou “parece que os problemas na minha empresa não têm fim” lhe soarem familiar, talvez seja porque você ainda esteja olhando apenas superficialmente para os problemas, não se permitindo investigar mais profundamente onde podem estar as soluções.

Talvez seja momento de se dar conta as soluções para a falta de fluidez e todo o stress podem estar na parte superior da pirâmide, onde se abrigam as crenças e valores empresariais, assim como a sua identidade, o senso de afiliação daqueles que a compõem e a espiritualidade da companhia.

Crenças e Valores

Crenças são verdades absolutas, são ideais que regem os comportamentos de uma organização. Elas podem tanto potencializar uma empresa como limitá-la. Valores são traços ideológicos, culturais, institucionais, morais, definidos de maneira sistemática para a coerência interna da empresa. São de suma importância, pois são eles que regem todas as decisões empresariais.

É de fundamental importância a mentalidade do dono estar alinhada com os objetivos mais desafiadores da empresa e este possuir a capacidade de replicar isso para toda a empresa.

Neste nível, a confiança do cliente passa a ser por admiração e por inspiração.

Identidade – missão – propósito

Subindo mais na pirâmide, encontra-se a identidade da empresa. Ela associa-se às seguintes perguntas: “quem é essa empresa?” e “qual é a sua missão?”

Trata-se de um processo em busca da descoberta do seu propósito.

São questões muito profundas e que exigem maturidade para encontrar suas respostas. No entanto, quando ocorre, são incríveis os efeitos observados. É libertador. As coisas passam a fluir de uma outra maneira.

É tão profundo, que a confiança do cliente aqui é por conexão emocional, por identificação.

Afiliação

Empresas são sistemas formados por pessoas. São a energia de seus fundadores, somada a energia de outras pessoas que se identificaram com o seu propósito e sentiram um senso de afiliação à ela.

Quando a afiliação está muito alinhada, todos sentem-se pertencentes à empresa, vestem a camisa, engajam-se na sua causa. Porém, quando ocorrem exclusões, alguns efeitos podem ser catastróficos.

Todos têm o mesmo direito de pertencer e isso é muito forte. Quando todos fazem parte e encontram o seu devido lugar, o sistema como um todo tende a se equilibrar e ir em direção ao propósito, fazendo com que os resultados apareçam.

Isso é tão forte que o cliente passa a ter um espírito de pertencimento, passando a confiar mais na empresa, pois ele sente que ela faz algo que tem a ver consigo.

Espiritualidade

Pode soar um tanto estranho falar-se de “espiritualidade” no âmbito empresarial, não?

Porém, basta observar que se empresas são a soma de energias de pessoas, ela também tem a sua própria energia.

Quando falamos de espiritualidade aqui, estamos citando esse termo independentemente de religião. Falamos em um nível energético.

Uma empresa que declara ao mundo os seus “porquês”, suas verdades, suas crenças e sua identidade, engajará muito mais pessoas, sejam elas clientes ou colaboradores.

Entretanto, existe um nível acima disso, um nível onde a empresa passa a transmitir a sua missão para o mundo, um nível do “para quem” ou do “em que nível essa empresa afeta o sistema ao seu redor?”

Trata-se de uma iluminação, de preocupar-se com algo maior que ela própria, de buscar a sua essência e suas ações passarem a acontecer de forma mais fluida e amorosa rumo ao seu propósito.

Tanto é que os clientes começam a gostar sem explicação, sentem uma proximidade de alma, uma afinidade, e passam a confiar mais na marca.

A responsabilidade do dono

Diante de tudo isso, constata-se que é responsabilidade do dono buscar o caminho de evolução da sua empresa e não julgar e criticar seus funcionários por maus resultados sem antes fazer o seu dever de casa.

Buscar olhar para níveis mais altos e buscar mudanças mais profundas é como colocar um óleo no topo da pirâmide, fazendo com que todos os demais níveis comecem a se organizar de maneira muito mais fluida.

Os resultados desse movimento são imediatamente notados por colaboradores, que passam a produzir mais e melhor, por fornecedores que começam a se relacionar melhor e por clientes que se engajam muito mais com a sua marca.

Esse movimento, somado a boas práticas de gestão, qual o resultado prático? O lucro.

 

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